História da República Berimbau

( 25-05-77 a 22-04-82 )

A República Berimbau foi fundada no dia 25 de maio de 1977, na rua dos Inconfidentes, 221, Barra. Seus fundadores foram :    Marrão       (José Jorge Guimarães), que estudava Minas, depois mudou para Geologia e logo depois catou a Escola sem terminar o curso, não se tem mais notícia desta cria; Ricci (José Antônio Ricci), formou-se em Geologia, atualmente trabalha na Petrobrás; Batituci (Cláudio Batituci Nora), formou-se em Metalurgia e trabalha em Salvador, na Caraíba Metais. Estes três moraram na república somente até novembro de 1977, Batituci e Marrão, mudaram para a Gaiola de Ouro Ricci mudou-se para uma pensão; Alves ( Brênio Marques da Silva), Engenheiro Metalúrgico, hoje professor da escola de Minas, morou dois anos na Berimbau e depois mudou-se para outra república; Rominho, (Romulo Diniz Nogueira), Engenheiro de Minas, trabalha na mineração de seu pai em Itaúna, Pelanca (João Batista Reis), Engenheiro de Minas, trabalha em Bicas (MG), mineração de caulim. O Pelanca e Rominho mudaram para a República Espigão, Zetão (Luiz Donizetti Cerávalo), Engenheiro de Minas, desempregado e finalmente os três formaram na República.

Zeca (José Dalton dos Santos) , Engenheiro Metalúrgico, hoje está fabricando foguetes em Itaúna, com seu pai (Fogos ITA), Ari (Ari ferreira da Silva), Engenheiro Metalúrgico, que, se matriculou em Engenharia Civil em Ouro Preto, depois passou no concurso da Cosipa e hoje está trabalhando em Cubatão. E eu, vulgo Sucrão (Tomaz Teodoro da Cruz), Engenheiro de Minas, trabalhei de novembro de 1982 à setembro de 1983, depois, ficaram de saco cheio da minha cara e me mandaram embora.

Foram moradores da República : Tião (Sebastião Carlos Teixeira), Miraé (Geraldo Sérgio dos Santos Werneck), Paulão (Paulo Hofman), Humberto Silva Guimarães, o pai da Carolina, Catas (Luiz Fernando Saggiorato) e, finalmente, os que subiram para a Senzala foram : Caixeta, Osvaldo, Lauro, Gigi, Rui, Zé Rodrigues, Rubens, João Carlos e Eu , Sucrão.

A Berimbau passou por vários períodos marcantes : no início, todos eram novatos em vida republicana, houve vários problemas de relacionamento, criando duas turmas : uma do Marrão, Batituci e Ricci e outra com o resto. O Ari era a ponte que unia estes dois blocos. Depois houve um período de grande harmonia, quando Miraí, Tião e Paulão substituíram Marrão, Batituci e Ricci.

O maior problema durante toda a vida da república foi o da limpeza, que não tínhamos empregada e éramos nós mesmos quem cuidava da arrumação da casa. Sempre haviam os que nunca limpavam, Catas, Miraí, Marrão e isto era pretexto para descarregar todos os outros problemas. Mas também não devemos esquecer os heróis da limpeza, que mereciam estátuas em sua homenagem, eram Gigi e Paulão. Paulão acordava no Domingo de manhã, ressaqueado, fazia uma caipirinha e lavava toda a cozinha deixando tudo impecável, “um brinco”. Depois de um bom período de harmonia, houve uma baixa pela compra de uma televisão, onde eu contribuí um pouco pela quebra da harmonia e, durante algum tempo, fui usado como bode expiatório. Isto passou, voltando a paz na Berimbau.

Não podemos esquecer dos participantes de coração da República, o Kennedy, um pivete, vizinho, mais inteligente que os outros, cuja mãe sempre ficava borrachando conosco na República. Aprendemos muita coisa com ele. As vizinhas de baixo, filhas de Dona Filinha, Cristina, Beth, Lela, Dona Nazinha, Mãe das ” Gs “, onde a gente sempre baixava para um bate papo, um cafezinho ou mesmo um rango no Domingo à tarde. Também a Rozinha, que trabalhava ao lado, no buteco do Vicente, que tinha dois motivos para baixar na República : a cachaça e o Rominho. O Sr. Adolfo, aquele dono da Casa Aliança, que cobrava taxa para descontar cheques, também não deve ser esquecido.

O Bié, escultor, que levava licores para a República, não era nada mau. As fofocas no beco, ao lado da casa, eram ótimas de se ouvir quando não estávamos com vontade de estudar. O Cearense, brigando de machado com seu irmão, os porcos e cabritos na rua, o pássaro ferreiro que cantava na loja de materiais de construção embaixo de casa. Agora, que era um saco era morar perto da linha do trem, foi aí que eu descobri porque nossos vizinhos tinham tantos filhos. O trem passava às duas da manhã e não dava outra, mais uma barriga para a patroa (quem tinha). Mais coitada da mãe do maquinista, levava sempre a pior. A professorinha, ah meu deus, quando ela passava as janelas ficavam abarrotadas.

Tem também o pessoal que freqüentava a Berimbau, a Denise, Margareth, Cida, Fausta, Beth, Jau, Helenize, Fátima. As meninas do Rio (Tânia e colegas) e Lígia (São Paulo), Cacaia, Gina (que sumiram) e o Casal Jefé e Lucinha Moon. Jesé e Lucinha eram muito mansos. Hoje eles tem um casal de filhos e estão sumidos da República há bastante tempo. Também, freqüentadora assídua da República era a Mary Two Dóllars, que dispensa comentários.

Vários lances marcaram presença na República; as risadas do Zeca e Osvaldo, as filosofias do Brênio, a pelação de saco do Pelanca, as brincadeiras do Zetão (dono do Sebinho, cão feroz). O Sebinho era um pedaço de pau que o Zetão puxava por um cordão pela casa e quando estudava, deixava-o amarrado no pé da mesa, e com uma placa na porta do quarto (Cuidado! Sebinho, cão feroz). Os gritos do Rominho, os rangos do Miraí, as comparações do Tião, os quadros do Ari, o violão do Humberto e as caixetadas do Caixeta. O batuque da Berimbau teve destaque nas animações do 12 de outras repúblicas, e mesmo nas festas da Berimbau, regadas à batida, hi-fi, pipoca e amendoim.

Importante também, é lembrar que os últimos dois anos de berimbau ficamos com um pedido de despejo nas costas porque recusamos pagar um aumento absurdo de aluguel. Agüentamos as pontas direitinho. Mas foi duro agüentar a voz de taquara rachada da filha do dono da casa, Sr. Teotônio. Bom, vitória nossa, pediram despejo, contestamos, moramos na casa até as casas do morro ficarem prontas.

Em abril de 1982, a Berimbau subiu, deixou de existir como República, mas continua firme no coração de seus ex-moradores. Agora juntamos com a Alcatraz (maior parte), Curral, Mausoleu e alguns gatos pingados de Pensão.

Escrito por Tomáz Teodoro da Cruz ( Sucrão )

Outubro de 1983

Senzala e EM juntos

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